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Manual de Coleta de Solo para Análise Química e Física

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Este conteúdo do acervo da ManejeBem apresenta informações sobre coleta de solo para análise. O texto preserva dados e orientações do artigo original, para revisão antes da publicação.

Coleta, preparo e envio de amostras de solo

Divisão das áreas

Antes de iniciar as coletas, você deve agrupar as áreas homogêneas da sua propriedade. 

As áreas homogêneas são áreas que possuem características semelhantes, ou seja, pelas características do solo (arenoso ou argiloso), relevo (morro, plano ou baixada), tipo de vegetação (capoeira, pastagem, mata, etc.) ou cultura anterior, declividade, histórico de uso e manejo.

Dividindo a sua propriedade em áreas homogêneas, você terá diferentes “grupos de áreas”. Por exemplo, Grupo 1: o grupo da terra mais arenosa: Você vai ter diferentes áreas do seu terreno que têm a terra mais arenosa. Grupo 2: outro grupo da terra mais argilosa de baixada: Você vai ter diferentes áreas do seu terreno que têm a terra mais arenosa; etc.

Para cada Grupo, eu faço uma análise de solo. Por exemplo: vou fazer uma análise de solo onde eu analiso de uma vez só todas as áreas do Grupo 1. Faço outra análise de solo, onde eu analiso de uma vez só todas as áreas do Grupo 2, etc. Neste sentido, se existirem 5 áreas com características diferentes na sua propriedade, você terá 5 grupos, e por isso terá 5 análises de solo diferentes.

Recomendação: As áreas previamente divididas não devem ultrapassar 10 ha.

A coleta

Procedimento

Após divisão das áreas homogêneas em diferentes grupos, deve-se realizar as coletas. Antes de realizar a coleta, você deve fazer a limpeza da superfície do solo: Retire pedras, galhos, plantas, restos culturais, etc.

A coleta em cada área dividida deve ser feita em zigue-zague. Você deve coletar as amostras simples de forma espaçada, contemplando a área toda.

Observação: Não coletar em “áreas atípicas”, como cupinzeiros e beira de estrada.

Quantidade de amostras simples coletadas por área amostrada

Cada retirada de solo, representa uma amostra simples. 

Recomenda-se a retirada de pelo menos 20 amostras simples de solo, feitas em zigue-zague para formar a amostra composta por Grupo. 

Isto quer dizer que, pro exemplo, para o Grupo 1 (terra arenosa), você fazer 20 coletas o solo no total, colocando tudo num mesmo balde. Em seguida você irá misturar essa terra dentro do balde e vai enviar para a análise um pouco da terra misturada do balde (meio Kg) e colocar em um saco, que será enviado para a análise.

O saco deve estar identificado, no mínimo com: Nome do agricultor, Nome da área, Profundidade da coleta, Data da coleta, etc.

De forma separada, você deve fazer o mesmo para o Grupo 2, Grupo 3, etc.

Profundidade das coletas

Quando falamos sobre a profundidade adequada de realizarmos a coleta do solo, isso varia:

– Para o plantio de culturas anuais (milho, feijão, olerícolas, etc): coletamos amostras de 0-20 cm de solo.

– Para o plantio de culturas perenes (cacau, uva, citros, café, caju, açaí, etc), temos que fazer dois tipos de coletas diferentes: em um balde coletamos as amostras de 0-20 cm de solo e em outro balde separado coletamos as amostras de 20-40 cm do solo.

Sobre as coletas de 20-40cm

São importantes para conhecermos e manejarmos o solo que vai abrigar as raízes de culturas perenes, permitindo uma maior produtividade da área.

Ao realizar a coleta de 20-40 cm, deve-se utilizar o mesmo buraco utilizado para retirar a amostra de 0-20 cm.

Exemplo

O agricultor ou o técnico dividiu a propriedade em 2 áreas. Na área número 1, ele plantará milho (cultura anual), por isso ele realizou a coleta em 20 pontos distintos na profundidade de 0-20 cm. A coleta foi feita em zigue-zague. Colocada todas em um mesmo recipiente (balde). As amostras simples foram misturadas. Posteriormente, ½ kg desta amostra composta foi enviada para laboratório. 

Já na área 2, ele irá plantar cacau, cultura perene. Por isso, para cada um dos 20 pontos distintos, o agricultor ou o técnico realizou duas coletas: a primeira coleta na profundidade de 0-20 cm; e a segunda coleta, feita nos mesmos pontos, na profundidade de 20-40 cm. Para a área 2, foi preciso o uso de dois baldes, um para armazenar as coletas de 0-20 cm e outro para armazenar amostras de 20-40cm.

No final da história, ele mandou 3 amostras de solo para o laboratório. Uma referente à área 1 e duas referente à área 2.

Materiais necessários para a coleta

Diversas ferramentas poderão ser usadas na amostragem, como por exemplo, pá, boca-de-lobo, arado e enxada. Destas ferramentas, as mais utilizadas são o trado de rosca, holandês e pá.

Além disso, você vai precisar de um ou dois baldes limpos (para colocar e misturar as amostras simples) e um ou dois sacos plásticos (para colocar a amostra composta de cada área que será enviada para laboratório).

CERTIFIQUE-SE que os recipientes não estejam usados ou sujos, como sacos de adubo ou cimento. Não deve ser utilizado embalagem de defensivo ou saquinho de leite para acondicionar as amostras.

Mistura das amostras simples

De cada área, dividida previamente, será retirada uma amostra composta de solo (soma das 20 amostras simples) para cada profundidade (0-20 cm, 20-40 cm).

Para formação desta amostra composta, você deve misturar bem todas as amostras simples coletadas dentro daquela área. Após este processo de mistura, você deve retirar ½ kg(500g) de solo, identificar o saquinho e enviar ao laboratório.

Identificação das amostras compostas

É muito importante a identificação de cada amostra composta: nome do agricultor, identificação da área coletada e dia da coleta.

Época de coleta

A época de coleta e envio das amostras ao laboratório é variável, mas o ideal para culturas anuais é no início do período de seca e com boa antecedência em relação ao plantio (pelo menos 120 dias).

Nessa época, o solo ainda apresenta certa umidade, o que facilita os procedimentos de amostragem e o agricultor terá tempo suficiente para planejar a compra do calcário e dos adubos. Para culturas perenes em produção, a amostragem deve ser feita preferencialmente logo após a colheita.

Não realizar coleta em solos encharcados ou logo após a ocorrência de chuvas!

Por que fazer a análise de solo?

As plantas, de modo geral, obtêm os nutrientes que precisam através do solo. Para avaliar as condições do solo a ser cultivado é necessário realizar análises laboratoriais.

– Análise Química: está relacionada com a natureza dos minerais do solo e a disponibilidade de nutrientes presentes. 

– Análise Física (Granulométrica): determinar a textura do solo e a quantidade de água necessária para definir os métodos de irrigação em diversas culturas.

Para melhorar a fertilidade do solo, geralmente se utilizam dois tipos de produtos: calcário para corrigir a acidez do solo e os fertilizantes, ou adubos, para corrigir a falta de nutrientes. 

A decisão do que, quando e quanto aplicar de calcário e fertilizante, somente deve ser feita com base na análise do solo com o auxílio de um agrônomo.

Fontes citadas nos artigos originais

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Equipe ManejeBem

Agricultura familiar - Assistência técnica rural - Tecnologia para o campo

A Equipe ManejeBem é a assinatura institucional de conteúdos sobre produção agrícola, manejo, sustentabilidade e agricultura familiar. A empresa desenvolve soluções digitais para apoiar o trabalho de equipes de campo, acompanhar produtores e medir os resultados da assistência técnica rural.

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